... o porquê do quê ...

Não entendia o meu facínio pelas aventuras de Peter Pan, eu que sempre fui extremamente feminina me encantava com o garoto que não queria crescer. Talvez hoje eu entenda tudo isso, acredito que algo dentro de mim já me avisava que crescer não seria a minha "praia". Não que eu tenha medo ou até mesmo preguiça de crescer, mas sim porque vemos o mundo de uma maneira real. Aprendemos oque eu jamais gostaria de ter aprendido, limitar nossos sonhos, ver que nem tudo é possível, ou melhor, que quase nada é, que felicidade é momentânea. E se descobre que os sonhos quase nunca deixam de ser sonhos ...

E por isso amo minha terra do nunca, onde as lembranças se tornam o meu presente e por alguns instantes posso acreditar que tudo pode acontecer ...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Datas me comovem ...

Se na Terra do Nunca do Peter Pan o Capitão Gancho mandou destruir todos os relógios, na minha eu destruiria todos os calendários. Datas mexem comigo de uma maneira surpreendente e perturbadora. Quando chega o aniversário de uma data marcante, mesmo que esta já esteja superada, eu me sinto como no dia que aconteceu, como se flashbacks acontecessem de uma forma repentina que chega a ser insuportável. Só de fechar os olhos eu revivo tudo, eu sinto na pele, eu sinto o cheiro, é como se eu voltasse para aqueles momentos, sinto a mesma dor, tudo novamente, fico sem ar, é incrível como minha memória que geralmente é péssima consegue resgatar cada detalhe do momento, cada olhar, cada lágrima, cada palavra...
Eu me emociono em datas como esta que vivo hoje, me sinto tão estranha, pensar que já se passaram um ano que tive o pior dia da minha vida, pensar e sentir o tanto que sofri, como se aquele passado fosse tão presente e que hoje na verdade é tão ausente. E estranho pensar que á 365 dias atrás eu queria morrer, queria de verdade, olhava pra mim e não queria mais ser eu, eu não sabia quem era eu. Em pensar que eu não estaria aqui, sendo que hoje eu quero viver com tanta intensidade, aí vejo como desejamos coisas idiotas, como eu pude ser feliz e descobrir coisas tão boas de mim mesma.
Talvez as pessoas não entendam estes dias ruins, talvez elas achem que isso é uma superação mal realizada, mas não é, eu só me permito sentir, não tenho vergonha de admitir que pessoas e sentimentos nunca morrem apenas adormecem para que possamos viver novas experiências, novos amores e porque não novas dores, já que elas são as que mais nos ensinam.
Dias como o de hoje marcam um fechamento e uma abertura , quando uma última página é escrita e uma história se acaba naquele mundo real, vidas se separaram, e nos fazem seguir adiante.
Hoje fecho os meus olhos e sinto o calor de uma respiração, um toque de uma mão, um adeus dado com tanta dor, lembrar-me de tudo isso é como explosão de sentimentos bons e ruins, me fascina ver como o ser humano pode sentir tantas coisas ao mesmo tempo, como podemos amar, odiar, desejar. Sentimentos opostos juntos em um só.... Eu não me nego isso, apesar de odiar calendários, já que não posso destruí-los eu os vivo, algumas pessoas podem chamar isso de "curtir fossa", mas eu chamo de aceitar meus sentimentos, aceitar esta dor da lembrança de algo que passou.
Mas nunca se esquecendo que tudo tem sua hora, hoje eu me permiti viver cada momento da pior data que já existiu na minha vida, o meu peito dói, meu coração aperta e minhas lágrimas caem sem eu sentir, eu queria gritar com tanta força, mas não sai voz, ninguém me escuta. Hoje me sinto assim, sozinha, triste, porém amanhã viro mais esta página, e não as jogo fora, as deixo aqui dentro, quardadinha, pois foi desta história que peguei os maiores ensinamentos da nova história que escrevo hoje... Datas me comovem... E me fazem ver como o meu passado foi sincero, como o meu presente é único e como o meu futuro pode ser melhor ainda.