... o porquê do quê ...

Não entendia o meu facínio pelas aventuras de Peter Pan, eu que sempre fui extremamente feminina me encantava com o garoto que não queria crescer. Talvez hoje eu entenda tudo isso, acredito que algo dentro de mim já me avisava que crescer não seria a minha "praia". Não que eu tenha medo ou até mesmo preguiça de crescer, mas sim porque vemos o mundo de uma maneira real. Aprendemos oque eu jamais gostaria de ter aprendido, limitar nossos sonhos, ver que nem tudo é possível, ou melhor, que quase nada é, que felicidade é momentânea. E se descobre que os sonhos quase nunca deixam de ser sonhos ...

E por isso amo minha terra do nunca, onde as lembranças se tornam o meu presente e por alguns instantes posso acreditar que tudo pode acontecer ...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Um amor adormecido em mim...

Com o tempo eu pude perceber que não podemos ter tudo que desejamos, com tempo eu também compreendi que existem sentimentos que podemos ocultar, adormecê-lo, para que então possamos continuar a viver. O tempo vai passando e até nós mesmo esquecemos daquele sentimento, mas isso não significa que ele não esteja lá. Em sonhos involuntários sempre acabava me deparando com ele, como se eu saísse dele, mas ele se recusasse a sair mim.
...De repente, no meio da noite acordo com minha própria respiração ofegante, meu coração parece não caber dentro do meio peito e percebo que nos meus olhos já se derramaram rios de lágrimas, fecho os olhos e tento me lembrar o que sonhei, logo me arrependo de tentar, e me pergunto baixinho "porque meu Deus?". Olho para o céu e lá esta o cenário que mais amo, aquela imensidão de estrelas, aquela lua brilhante, cenário este que já foi presente em tantos momentos de amor, e que hoje é o mesmo cenário da minha dor...
Fico confusa, normalmente em meu dia a dia não me lembrava deste amor, a não ser em minhas visitas a terra do nunca, e agora estava eu, pensando nele, bem no meu mundo real. O príncipe que se tornou sapo, para mim depois desta transformação tudo teria acabado, o sentimento teria dormido e eu poderia viver. Mas nesta noite eu tive uma descoberta, eu ainda amava o meu príncipe-sapo, de uma forma oculta eu sempre o amei, ele foi a pessoa que meu coração escolheu e mesmo ele não sendo nada do que eu desejo, o sentimento que sinto é verdadeiro, neste amor não existem mentiras, falsidades, traição, ele sempre foi puro. A verdade é que meu coração se recusa a esquecer, por um motivo que eu mesma desconheço.
Foi estranho tentar aceitar este amor novamente em mim, na terra do nunca eu o sinto sempre, mas aqui no meu mundo real ele me faz pirar, eu perco o ar, mas de uma forma verdadeira é surpreendentemente belo, tão puro que minhas lágrimas escorrem pelo meu rosto sem que eu veja. Que amor é este que me faz querer gritar em silêncio, chorar sem sentir dor, morrer estando viva?
Com o tempo eu aprendi muito, mas com mais tempo eu aprendi mais ainda. Entendi que tudo que dorme tende um dia acordar, que sentimentos verdadeiros nunca adormecem para sempre, que a vida é mais bela quando somos sinceros com nós mesmos. Amo ao ponto de morrer e até matar, de parecer que aquele amor nunca terá fim, de importar mais com outra pessoa do que comigo mesma, porém apesar disso tudo, deste amor ser lindo e verdadeiro eu não vou viver somente por este amor, mas também não vou fingir que esqueci dele. Hoje sei que existe vida feliz sem ele, que existe prazeres imensos que não o incluem.
Por isso vou aceita-lo e aprender a viver com este amor sem me enganar, pois no amor verdadeiro não se aceita trapaças e eu que nunca menti pra quem eu amava passei a mentir pra mim mesma. Talvez este seja o primeiro passo para esquecê-lo de verdade.