... o porquê do quê ...

Não entendia o meu facínio pelas aventuras de Peter Pan, eu que sempre fui extremamente feminina me encantava com o garoto que não queria crescer. Talvez hoje eu entenda tudo isso, acredito que algo dentro de mim já me avisava que crescer não seria a minha "praia". Não que eu tenha medo ou até mesmo preguiça de crescer, mas sim porque vemos o mundo de uma maneira real. Aprendemos oque eu jamais gostaria de ter aprendido, limitar nossos sonhos, ver que nem tudo é possível, ou melhor, que quase nada é, que felicidade é momentânea. E se descobre que os sonhos quase nunca deixam de ser sonhos ...

E por isso amo minha terra do nunca, onde as lembranças se tornam o meu presente e por alguns instantes posso acreditar que tudo pode acontecer ...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A vida em alguns segundos

É bem fácil ver a nossa vida inteira passar em segundos como " flashbacks" .Tudo se passa tão rápido que nos sentimos pequenos e o que se parece tão longo se resume em tão pouco, como se nossa trajetória neste mundo se tornasse cada dia mais inútil e quanto mais o tempo passa menos fazemos diferença. A verdade é que quanto mais crescemos mais nos tornamos menores, comuns, fantoches sem sonhos e crenças , fazemos o que nos e dito e não o que realmente acreditamos.
Fechando os olhos me vejo a anos atrás, joelho ralado, sorriso espontâneo e logicamente desastrada como sempre fui, vivia na rua jogando, brincando como uma verdadeira "piveta". A carta branca da galera, a última a ser escolhida na queimada, um desastre em qualquer brincadeira, acho que em minha vida sempre fui boa é no aspecto "casinha", ainda não acredito que não me casei nova, sendo que sempre sonhei com romances, príncipes e histórias de amor.
Se Terra do Nunca tivesse que ser encontrada aqui neste mundo real teria o nome de Rua Santos, meus melhores momentos ficaram ali, os melhores amigos, a família ainda unida, meu primeiro e único amor. Os amigos ainda continuam, mas de uma forma tão diferente, aquelas crianças que se tornaram adultos, as festas de chips e guarapan foram substituídas por churrasco e cerveja . Risadas e ingenuidade foram trocadas por situações nadas ingênuas, não que meus amigos mudaram, mas a vida os mudou , como tudo , eles saíram da terra do nunca e cresceram , a ordem natural e infeliz das coisas. O amor ainda existe, mas de uma forma tão diferente, como se aquele amor por mais que não deveria mais existir insistisse em acordar todos os dias dentro de mim.
A Rua Santos tinha um pouco de tudo, o gordinho lorinho metido, o magrelo medroso que se escondia atrás da mãe, o gatinho que as meninas amavam, a menina linda dos olhos verdes, a mandona, a mais saidinha. Irmãos malas, um pai que pra mim era meu herói, meu protetor e hoje neste mundão eu vejo o quanto esta desprotegido e por isso é o maior motivo das minhas orações. Uma mãe tão linda e segura , e que continua a mesma , só ela que não vê isso, prefere se esconde atrás decepções ao invés de viver em cima de tantas realizações. Isso tudo ainda vive em mim, em meus sonhos, meus olhos se enchem de lágrimas em lembrar o dia que eu realmente fui feliz, que a hipocrisia que hoje conheço não existia e a única regra era ser feliz.
Tem dias que me olho no espelho e realmente não me reconheço, não acredito no que me tornei. Minha maior decepção é ver que sou algo que nunca quis ser, que dançar conforme a música não foi bem uma escolha e sim uma situação quase obrigatória, que todos os dias tento mudar e ser eu mesma sem esta máscara que eu mesma me impus.
Mas mudar sozinha é tão difícil, me sinto tão só mesmo rodeada de pessoas, como se eu estivesse ligada no modo automático e a "EU" verdadeira estive num quarto escuro, onde nada se fala e tudo se sente, lágrimas se tornaram mais que presentes e eu estivesse numa busca incansável a mim mesma.
Hoje eu preciso de mim, que meu coração me encontre e minhas lágrimas se cessem e que eu possa mais uma vez acreditar em mim, que eu possa realmente ser eu.